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O Rio de Janeiro é um lugar tão especial que há muito tempo vem servindo de inspiração para artistas de todas as linguagens: os romances de Machado de Assis, os sambas de Noel Rosa ou os parangolés de Hélio Oiticica são exemplos de obras que encontraram aqui mais que um cenário, mas um personagem com vida própria. Neste segundo semestre de 2009, a Orquestra Petrobras Sinfônica, parte integrante desta cidade única, pode reiterar seu vínculo com o Rio por meio da Série Burle Marx, que estreia no Espaço Tom Jobim. Não por acaso, um ciclo que conjuga dois outros nomes de artistas igualmente apaixonados pela nossa cidade. Os dois concertos que realizamos neste teatro aconchegante já nascem originais pela sua localização, em pleno Jardim Botânico. Mas certamente não se resumem a isso: no dia 25 de agosto, trazemos para o público uma celebração dos duzentos anos de nascimento de Felix Mendelssohn (1809-1847). Este brilhante compositor do período romântico, que foi responsável pela revalorização da obra de Bach (1685-1750) no século XIX, tem sido cada vez mais apreciado por plateias de todo o mundo. A orquestra celebra seu bicentenário com a versão completa de Sonho de uma Noite de Verão, música incidental concluída na década de 1840 para a peça que William Shakespeare escreveu em fins do século XVI. O ator Thiago Lacerda será o narrador do concerto, que traz todo o lirismo da partitura de Mendelssohn e partes que entraram para a história da música, como a inesquecível Marcha Nupcial. Já em dezembro, é a vez de focarmos um repertório mais recente e com obras brasileiras. De César Guerra-Peixe (1914-1993), que circulou pela música clássica e popular com igual desenvoltura, apresentamos uma homenagem ao pintor Candido Portinari. Canto de Amor e Paz, peça que marcou o rompimento de Claudio Santoro (1919-1989) com as teorias atonalistas e dodecafonistas, também está no programa que, com o Improviso para Cordas, presta homenagem aos dez anos de morte de Armando Prazeres (1934-1999), fundador da Petrobras Sinfônica e incansável divulgador da música sinfônica no país. Completa o espetáculo o Réquiem de Fauré (1845-1924), delicada peça do compositor francês interpretada com a participação dos Canarinhos de Petrópolis. São estes os ingredientes de uma série que destaca um dos maiores arquitetos e paisagistas que o século XX conheceu. Roberto Burle Marx (1909-1994) escolheu a paixão pelo Brasil como matéria de um trabalho de alcance internacional, assim como fizeram Machado, Portinari, Jobim, Prazeres e tantos outros. A Orquestra Petrobras Sinfônica mira-se nesses grandes brasileiros para continuar a traçar diferentes pontes entre música e sociedade em nosso país. Um processo que só existe pela força do seu conjunto e pela companhia valiosa de cada pessoa aqui presente. Isaac Karabtchevsky e Diretoria Artística |