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Não foi à toa que Candido Portinari (1903-1962) se tornou uma das maiores referências das artes visuais no Brasil: suas telas e seus murais integram um momento decisivo da nossa história, quando a identidade cultural brasileira começou a adquirir contornos mais nítidos. Retratando a realidade dos cafezais ou dos retirantes, o pintor soube fazer da temática social o mote para uma transformação estética em nossa arte. No segundo semestre de 2009, a série de concertos da Orquestra Petrobras Sinfônica homenageia este grande artista e coloca a música brasileira e a produção contemporânea em merecido lugar de destaque.
No espetáculo de estreia, estão dois compositores que basearam suas poéticas em aspectos de suas culturas locais: de Villa-Lobos (1887-1959), serão lembrados a Suíte nº 1 e Momoprecoce, fantasia para piano e orquestra com interessante uso da percussão, cuja primeira audição aconteceu em 1929. O espanhol Manuel de Falla (1876-1946) comparece com El Amor Brujo, originalmente um balé sobre os conflitos amorosos da cigana Candela e aqui apresentada em sua versão “suíte”. Com a narração do ator Thiago Lacerda, o segundo concerto celebra o bicentenário de nascimento de Félix Mendelssohn (1809-1847) com a versão completa de Sonho de uma noite de verão, adaptação feita por esse gênio a partir do clássico que Shakespeare escreveu em fins do século XVI.
Em setembro, teremos a oportunidade de ouvir Vereda, sensível obra para orquestra da carioca Marisa Rezende (1944), conhecida também por suas importantes peças para música de câmara. O solista Saul Medina participa do Concerto para Marimba, composição recente do alemão Eckhard Kopetzki (1956) e, para manter este clima vigoroso, o espetáculo se encerra com a Primeira Sinfonia de Shostakovich (1906-1975), composta pelo autor aos 19 anos de idade. No quarto concerto, uma aproximação à ópera italiana e sua repercussão no Brasil: dentre prelúdios da La Traviata de Verdi (1813-1901) à última ópera de Rossini (1792-1868), Guilherme Tell, interpretamos algumas obras que mostram a sintonia de Carlos Gomes (1839-1896) com a produção musical de sua época.
As vozes dos Canarinhos de Petrópolis trazem ainda mais delicadeza para o Requiem de Gabriel Fauré (1845-1924) em novembro, quando também apresentamos The Lark Ascending de Vaughan Williams (1872-1958), uma peça de Armando Prazeres (1934-1999) e uma homenagem de Guerra-Peixe (1914-1993) a Portinari, com quatro movimentos inspirados em obras suas. O encerramento do ciclo acontece em dezembro com a estreia brasileira de Der Zwerg, ópera em único ato sob direção cênica de André Heller-Lopes, escrita em 1921 por Alexander Zemlisnky (1871-1942) a partir da história de O Aniversário de Infanta, de Oscar Wilde.Tal como o artista que a nomeia, a Série Portinari encontra o significado da brasilidade ao se alimentar das influências que mantêm nossa cultura sempre atual. O aplauso do público da Petrobras Sinfônica é a prova de que esse processo continua a render bons frutos.
Isaac Karabtchevsky e Diretoria Artística
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