apresentação

Mais do que uma inspiração para a primeira série da Orquestra Petrobras Sinfônica em 2009, a obra de Djanira Motta e Silva (1914-1979), descendente de imigrantes austríacos e índios guaranis, é uma síntese da diversidade cultural brasileira e ilustra com perfeição alguns dos nortes estéticos de nossa temporada. Djanira retratou em suas telas um Brasil feito de cotidiano e fé, construído por pescadores, trabalhadores comuns e religiosidade, com um estilo que dialogava com a singularidade de suas temáticas. A simplicidade do seu traço delineia os cinco concertos desta série, aproximando contrastes da música sinfônica para revelar nossa identidade, tão múltipla quanto coesa.

Na estréia, o destaque é a comemoração pelos duzentos anos de nas cimento de Felix Mendelssohn (1809-1847), um dos maiores compositores da história, que vem sendo descoberto por novos apreciadores. O programa tem início com a Abertura Ruy Blass, Op. 95, escrita para o drama de Victor Hugo em 1839. Em seguida, Sonhos de uma noite de verão, baseada no clássico de William Shakespeare e referência para a música de concerto da época, fecha a parte do espetáculo dedicada às paisagens criadas pelos sons. Já a Sinfonia no 4 em Lá maior ‘Italiana’ é uma demonstração do poder da orquestração no compositor alemão, obra com a qual se verifica a clareza e o equilíbrio dos temas melódicos que viriam a se tornar uma marca do Romantismo.

O segundo concerto, conduzido por Roberto Duarte, traz exclusiva mente autores brasileiros. De Edino Krieger (1928), interpretamos as três partes de Ludus Symphonicus que exploram diferentes aspectos do conjunto sinfônico: a orquestra ção densa, a ênfase nas cordas e a variedade percussiva. De Villa-Lobos (1887-1959), cujo cinquentenário de morte também lembramos neste ano, traremos o Concerto para harmônica e orquestra, com a participação do solista José Staneck, e a Dança Frenética, peça que requer a utilização de grande massa orques tral. Completa o concerto a Sinfonia no 11, obra em que Cláudio Santoro (1919-1989) mantém o rigorismo de seus estudos tímbricos e se vale de soluções instrumentais que reme tem a Prokofiev.

Em maio, encontramos a sutileza da relação entre dois compositores distantes no tempo e no espaço: o estoniano contemporâneo Arvo Pärt (1935) e o austríaco Joseph Haydn (1732-1809), que morria há duzentos anos em Viena. As Sin fonias 70 em Ré maior e 90 em Dó maior compõem um painel do clas sicismo do qual Haydn foi um dos maiores artífices. O desenvolvimento de formas orquestrais, então inovadoras, como a sonata e a utilização da fuga, são alguns dos legados deste compositor, que influenciou sua época assim como Arvo Pärt tem influído na nossa. Para apre sentar Pro et contra para violoncelo e orquestra e Cantus in memory of Benjamin Britten para orquestra de cordas e sino, representantes do estilo minimalista de Pärt, contaremos com a participação de Hugo Pilger e Lino Hoffmann, num concerto sob a regência de Carlos Prazeres.